Memórias que me cortejam - GeekSly - Um Cara Tímido e Geek

Memórias que me cortejam



Dizem que 3 da manhã é um horário mágico, a “Primeira Terceira hora do dia” um horário da TRINDADE, relacionado à carta Imperatriz do TAROT que apresenta a mulher bonita e elegante que em sua mão esquerda, regida pelo inconsciente, empunha o cetro do poder, e na mão direita, a do consciente, um escudo. É a carta dos que governam pelo amor e que por ele são governados - E assim eu a vejo. Olho para o relógio a esperando, 3h da manhã, nem mais nem menos. Ela, Mariana, minha Mari, descendo as escadas da sala com uma camisola branca e sutiã e calcinha, pretos de rendas vermelhas, disputando minha atenção. Jamais creria que a veria assim, se aproximando lascivamente do meu corpo. Até então éramos melhores amigas, das que estão presente uma para outra para o que der e vier, sempre que tínhamos a necessidade de falar coisas que guardávamos na alma e no corpo. No dia em que a contei que era louca por mulheres, com toda sutileza e compreensão do mundo, ela disse: -- Hum, já pensei em um milhão de amigas, que você precisa paquerar, quem sabe elas não se animam pra se revelar de vez - sorrindo, enquanto eu gargalhava alto, ela se virou levantando levemente a camisa - Olha, fiz ontem a noite - se referindo a tattoo de um gatinho preto, no tamanho de um polegar, no centro da lombar -. O que acha? O que eu achava era simplesmente que tinha ficado lindo, sem deixar de notar sua cintura fina, a pele albina que me contrasta, e o quanto ela é sensual, afinal, era ela o animo para que eu enfim saísse do armário, mesmo que, contraditoriamente, meu maior objetivo fosse preservar nossa amizade. Por ora esse seria o meu maior segredo, que um dia, dez anos depois, viraria a ser uma piada contada rapidamente indicando que eu era apaixonada por ela aos 18 anos - Só assim suportava a ideia de não lhe contar algo. Mas, raramente nossos planos decorrem como bem planejamos. O meu, começou a ruir quando, em um dia que tinha tudo pra ser só mais um, ela me ligou: -- Lari! Lari! Vamos Sair! -- Calma! Mari, estou de moletom, terminando uma marota de House of card, detonando uma tigela de amendoins torrados, e você, do nada, me liga às 23h, sabendo que trabalhei e fiz hora extra a semana inteira, pra me intimar a sair?! -- Ora, eu sei que você vai aceitar se eu insistir... - Ri, só ri, porquê sempre rio quando ela tem razão, fazer o quê?! Ela me faz sentir bem, sempre me foi conveniente, e mesmo que estatisticamente eu pudesse amar outras milhares de garotas que conhecesse explorando todo planeta (e era crucial ter muita fé nisso), ela me deixava claro, com seus sorrisos e olhares, algo como "mas a gente nunca conhece". -- Vamos, né? - as paredes sabem que já não havia, assim que o telefone começou a tocar, nem da minha parte nem da dela, expectativa alguma que eu recusasse - Lari eu discuti com meus pais e preciso extravasar! -- Discutiu sobre o quê? O que houve Mari? -- Te conto pessoalmente. Sair pela noite, deixar tudo de lado. Gritar. Berrar. Derrubar todas as inibições, esquecer o politicamente correto, era especificamente o objetivo dela: Sair da linha. Mesmo que apenas numa quermesse de beira de estrada a 10 km da cidade. Lembro que tocava o que mais gostamos - Blake Shelton, Florida Georgia Line... Country a noite toda -. Ela não bebeu uma gota sequer de qualquer coisa que embriagasse, mas estava totalmente maluca! Maluca e linda; de camisa masculina e mini-saia - quase selvagem -. Dançando enquanto eu me perguntava se ela sentia a mesma atração que eu estava sentindo por ela. Dançando. Dançando porquê não estava atrás de romances - tinha terminado um namoro a três semanas -, ela queria apenas dançar... Me chamando para acompanhar a música: -- Dá pra sentir isso? - quase soltei o frenesi de tudo o que estava sentido, através de um beijo roubado, mas fiquei só no "você está totalmente maluca"! -- Não, estamos totalmente malucas. Mari me fitou nos olhos, sorriu, aproximou o rosto do meu, nariz com nariz, e sussurrou "eu briguei por você Lari; me ouviram falando de você, que você é a pessoa que segura todo o edifício dos meus sonhos - meus pais me ouviram falar que te amo". Em momento algum de toda minha vida, minha pele se arrepiou tanto! Em milissegundos, costas se contraindo, olhos arregalando, respiração parando, e um beijo arrancado, que após o susto, foi entregue sem nenhuma resistência - na verdade, como um alívio. O que senti jamais constará em um filme, um poema, ou em uma música. Hoje sei que é a mesma sensação de quando rimos ao disputar o lençol, o carregador de bateria, quando recolho a calcinha dela jogada no box, a toalha jogada na cama, quando a vejo usando o banheiro com a porta aberta, ou quando ela queima o macarrão nos sábados, dia de "Vamos comer macarrão", e temos que partir para o yakissoba - se tenho uma certeza na vida, é que ela faz de propósito... Claro, ela ama yakissoba. Mari possui tantos detalhes inusitados. Amo todos eles. Principalmente, amo tão intensamente quanto um toque, beijo ou orgasmo, vê-la dizendo, sempre que algo dá errado, acompanhado de um sorriso bobo, especialista em me desmanchar: -- "Pois a vida é boa demais, sabe como é, vou viver o melhor que puder! La la lá la la lá vou viver o melhor que puder" - sua fala predileta, de seu filme predileto, 'Vida de inseto', que assistimos nada mais nada menos que 33 vezes, em 3 anos de namoro. Daquela noite, lembro detalhadamente que em uma van, alugada, após meia hora de procura de um cantinho só pra nós duas, por 50, absurdos, reais, toda minha economia daquele mês, ainda naquela cidadezinha, a alguns metros da quermesse, ao som de Honey Bee ("Your kiss just said it all. I'm glad we had this talk. Nothin' left to do but fall in each other's arms. I could've said a "i love you". Could've wrote you a line or two. Baby all i know to do. Is speak right from the heart") que estávamos caindo nos braços uma da outra. Como um salto de pára-quedas... Sem o pára-quedas... Os lábios tão doces, tão beijáveis; a pele tão macia, tão tocável, sem muito a dizer. Parando sutilmente para me olhar e declarar com um sorriso que me queria tanto quanto a queria. E que maneira linda de me olhar nos olhos, despertando fantasias. Não era preciso perguntar a ela aonde iríamos chegar. Mari Flutuava entre meus braços, se entregando inteira: Vi a mais pura verdade, não há momento melhor se não houver ela. Não escondi nenhuma palavra que me passava a mente, nem que quisesse, não tinha como esconder nem a alma: Nos absorvíamos sem vergonha de explorar cada canto de nossos corpos - rígidos, tremendo. Nos prensávamos: Que corpo! Ah... Ela sabe me prender. Clichê chama-la de deusa, mas, poxa: Ela é demais!... Ela é demais. Incrível como cada carícia aconteceu sem nenhum planejamento - estávamos numa sincronia inexplicável. Incrível como ficamos tão corajosas, incrível como não tínhamos nenhuma discrição. Tão errado, tão certo, longe de qualquer expectativa do o que "boas" garotas fazem. Deus, alí confirmei o quanto ela é mágica; certeza que jamais teria conseguido resistir, ainda hoje, 3 anos depois, pareço tão indefesa aos seus carinhos, sem contestar, não ouso resistir. Era como se tivessem retirado todo oxigênio do mundo, e só ela fosse capaz de me suprir de fôlego. Ajoelhei. Creio que meu coração já havia saltado do meu peito, porquê pareceu explodi quando ela começou a ecoar seus gemidos, enquanto sentia o gelo de minha língua a chupando, bebendo-a. Mari cravou suas unhas em minhas costas, mexendo e enchendo meu cabelo de nós, colocando seu corpo ainda mais colado ao meu: Quanto mais dela eu tinha, mais de mim era ela. Até ela gozar, foi uma loucura, mas uma loucura tão consciente, que paralisava o tempo, que acelerava nossos sentidos, mas paralisava todo mundo ao nosso redor. Ela sentou em meu colo, teus seios tocando os meus, acariciei seu rosto e a pedi em namoro, acariciando também seus ombros e seus braços. Delicadamente passando a mão em seus seios, beijando-os. Seu corpo amolecido, descansando sobre o meu, retribuindo todo gozo com toques de carinho, com seu jeito doce de tocar meu corpo. Apreciei seu perfume, e depois de que dei uma "fungadinha" em sua nuca, seu corpo estremeceu, e com toda a eternidade em suas mãos, em meus ouvidos ela sussurrou: -- É tudo o que quero. -- Ah... - riamos juntas - amo você menina... Eu te amo. Amo você, Mari! Desde então venho colecionando seus cheiros, aponto de distinguir entre todos cheiros da Terra; pois ela transforma todos cheiros em cheiro de neblina, todos os cheiros da cidade, o de todas estruturas de cimento, em cheiro de orvalho no vento. São 3h da manhã, nem mais nem menos; um horário mágico de um dia memorável. Nossa Lua de mel; minha Imperatriz, Mariana, minha Mari... Vem descendo as escadas da sala, bonita e elegante, como uma Deidade a rodear a Terra, com uma camisola branca e sutiã e calcinha, pretos de rendas vermelhas, disputando minha atenção, enquanto reconheço que a cada dia que passa meu maior objetivo é ser a pessoa que segura todo edifício dos seus sonhos.


Texto por: Larissa Lencina
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